quinta-feira, 23 de abril de 2009

vidros e vidraças

a érico veríssimo


se o escuro chega perto
o mundo é um deserto
sala iluminada
chuva na calçada
nós somos deserto
estremece o que não se esquece
sobrado edificamos
edificamos o frio
anjos petrificando
o vermelho da brisa
horas estatuadas
demônios tão visíveis
o marrom do cobertor
aquecendo a música
gelando nossos pés

por nossa cabeça
rompiam-se fantasmas
tormentos eram dourados
tanta fé nos arrepios
homens tardios
passeiam no teto vazio
velamos vultos apodrecidos
estremecendo paralisados
paralisando estremecidos
voltando a si
choram, entram no quarto
entram na cena, gemem
medo nas vidraças
vidros temerosos
das lembranças futuras
cruéis, duras

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