sábado, 27 de março de 2010

AI DE TI, HAITI!


Márcio Almeida

Ai de ti, Haiti!
Cloaca da miséria a perguntar ao mundo
se Deus existe.
Entulho da morte, pátria do caos.
Ai de ti, carniça viva
a dar azia em urubu.
Nação a mando do diabo,
do açúcar acre, do carvão sem cinza,
do exército cômico para deleite de Guerrit Verschuur,
da vida a menos de um dólar,
da única universidade soterrada no desconhecimento
de sua fragilidade sísmica.
Ai de ti, cemitério a céu aberto
como seus esgotos, suas heresias no Palácio dos Milagres,
suas feridas abertas na História,
suas dinastias que Papa e Baby DOCumentam o horror da desgraça
que não cessa,
seu jugo estrangeiro a quem em inglês, francês, espanhol ou vudu
exauriu seu solo, furtou seu pouco de nada, anulou seu futuro.
O inferno pó-moderno teve seu apocalipse trêmulo
e chama-se Haiti.
Subserviência sob domínio da fome,
Terra morta por terremoto,
entre saques e violência,
povo sem sinapse com o real,
em fuga sem para onde,
aeroporto sem destino,
Porto Príncipe sob a realeza mundo-cão.
Que os seus mortos adubem a esperança,
que seus políticos de mentira aprendam com a finitude,
que suas ajudas humanitárias
reconstruam o que seu povo nunca teve,
que suas ruínas ensinem a ouvir
entre vozes de concreto o apelo
de barrigudinhos-catarrentos,
que seu cheiro pútrido chegue aos salões de festa,
às mesas fartas, aos bunkers dos G8,
aos cultos e aos discursos dos poderosos.
Ai de ti, Haiti!
Agora que a Natureza te riscou do mapa
e abalou o alicerce do planeta,
e que o mundo, solidário ao seu castigo por existir
escravo de tudo e todos,
possa, Haiti, vingar como veneno tardio
a única certeza de Deus não morrer antes
de um dia te ver feliz.



Contato do Márcio Almeida, em Biografia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

por onde anda marciano?

quando primeiros raios de sol
beijam as dicksonias sellowianas
vou até o córrego
procurar meu corpo
desovado
boiando

medo de acontecer
escrevo coisas
premonitórias

melhor buscar no espaço sideral
contato imediato
com marciano

certa de encontrar
escrevo coisas
premonitórias

terça-feira, 23 de março de 2010

Declaração Pública de Ternura

valéria t.
t. de textura
telúrica tenaz
valseira

t. de trilha
trama perfeitos poemas
assim a vejo
pão-pão, queijo-queijo

valéria tarelho
espírito velho
um corpo textual
tarimbado


poema com poema se paga
http://valeriatarelho.blogspot.com/
23/03/2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

farewell batman

não gosto mais de você
fez sua ops!... opção pelas trevas
mal dito black batman

batman, batman
fomos tão felizes
agora me esqueça
estou de bem comigo
de mal com você

solitário batman
nada de bat-hora
nada de batcanal
tudo na mesma batnada

mando beijos
de fora do cast
na santa paz
adorado adam west